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sábado, 5 de dezembro de 2009

Eu por ela

Com toda a licença, eu só vou pôr esse trecho porque eu realmente adorei, assim como adorei muitas outras partes. Obrigada, Bá, você deve imaginar o quanto foi importante pra mim esse ano a conhecer, mas não vou me estender porque a sua vem logo mais.

"A Vanessa que se revelou, de aquele jeito meigo e quieto, da menina que ri alto, conta suas experiências desde seu sistema excretor até... sabe? Não tem pudores para demonstrar suas indignações, imita pessoas como ninguém e, acima de tudo, nunca sabe quando parar de cantar." B. Ariola

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Redação: Transcendendo os limites da vulgaridade

No conto "A teoria do medalhão" de Machado de Assis defende-se uma tese cujo objetivo é delimitar passos específicos para que uma pessoa se torne o que pode ser compreendido como "medalhão" - aquele que se limita à vulgaridade apenas para obter um, aparentemente, bom caráter, que o torne em um símbolo, um referencial.
Este artifício, recorrente a tais pessoas para adequarem-se às máscaras sociais mais queridas e almejadas popularmente, é facilmente justificável: é cômodo ouvir o que já foi dito, esquivar-se de uma realidade e ter uma trajetória linear de vida, sendo assim desnecessárias grandes manobras para se viver.
Justamente por nos acomodarnos com os incômodos rotineiros, tendemos ao estranhamento de qualquer ideia que desconstrói o lugar-comum, chegando até mesmo a rejeitá-las, pois, citando Caetano Veloso, "Narciso acha feio aquilo que não é espelho". Desta forma, poucos refletem sobre nossas instituições, nosso comportamento e nossos valores, tidos como pilares sociais.
Por tudo isso, é válido vasculharmos os aspectos mais singelos e prosaicos a fim de compreendermos, por exemplo, por quê nos vestimos de uma forma tão parecida; por quê a política é vista como motivo de piada ou com repulsão para tantas pessoas; por quê as escolas não dão maior enfoque humanitário ao invés de serem apenas conteudistas, e em alguns casos, prepararem os alunos única e exclusivamente para o vestibular. Esses questionamentos podem evitar que absorvamos os costumes ao extremo, até o ponto em que o natural e o normal já não se distinguam tanto, senão por uma linha tênue.
Em suma, a cultura da vulgaridade acaba por, mesmo que sorrateiramente, padronizar o homem em uma dimensão ampla, reduzindo-o ao medíocre. E como consequência dessa cultura, surgem os tais "medalhões" que personificam a ostentação pelo luxo e tipificam uma classe intelecto e socialmente estagnada. Trata-se, assim, da receita ideal para a formação de uma legião cada vez menos participativa e mais acomodada, lacaia do poder público.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

De niilista a otimista

Desconfie dos dados, mantenha-se distante das estatísticas. Elas podem ser tendenciosas e parciais, podem manipular uma pseudo-realidade de um modo que você até acredita que a educação brasileira é um exemplo mundial.
Cuidado com as colocações prematuras, com as palavras erradas. O nosso alfabeto, com todas as palavras possíveis de serem criadas, incluindo permutações ilógicas, é insuficiente pra expressar a grandiosidade das bobagens que passam pela mente humana. Cuidado, você pode se equivocar ao dizer que escolheu alguém (seja lá para o que for).
Seja incrédulo quanto as premiações. Isso pode lhe poupar alguns momentos de inconformação. Ora, você não assiste VMB realmente acreditando que Cordel do Fogo Encantado vai ganhar, não é mesmo? Porque se você assiste sabendo que vai detestar ver a banda-relâmpago ganhar o prêmio de "A melhor banda de todos os tempos da última semana", parabéns, você está no programa certo. Para enfatizar essa questão, não se esqueça que Obama acabou de ganhar o Nobel da paz, e Ghandi morreu não ganhando sequer uma medalha-latão da paz.

Isso é para os meus amigos, e para todos que estão mobilizados/sensibilizados/frustrados com o fato ocorrido hoje de manhã sobre quem seria nosso homenageado na formatura. As palavras que usaram para nos confortar foram insuficientes, os dados não expressaram a realidade da maioria (e ainda que fosse minoria, é indiferente) e a premiação vai ser apenas uma premiação. Todos os outros professores continuarão sendo homenageados pelos alunos que os queriam como tal; e o fato de eles não ganharem um presentinho da escola não significa que eles não tenham tamanha expressividade, não significa que eles não mereçam, não significa que eles não sejam especiais da mesma forma. E agora falo por mim, são até mais.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Foi, não foi, foi

Ando em uma fase modernista,
vou cortar a linearidade, a rima e a métrica,
vou criticar Olavo Bilac,
vou desenhar o abaporu invertido
com o pinico de Duchamp na cabeça.
vou pegar a Monalisa e adaptar seus lindos olhos à Modigliani¹.
Serei concretista,
vou entrar no tropicalismo
e falar que o Batman era macumbeiro.²
Vou juntar tudo isso e pôr na minha redação do ENEM.


¹Amedeo Clemente Modigliani foi um artista plástico italiano, costumeiramente retratava mulheres sem os olhos.
²Referência à música Batmacumba, composta por Caetano e Gilberto Gil.